Esta é a minha primeira reflexão sobre o endividamento jovem. Ao longo do ano, reflectirei em conjunto com o meu grupo e o movimento esta realidade. Muitas ideias poderão mudar, coisas novas surgirão… Mas, no fim, acredito que seremos mais, melhores e estaremos preparados para lutar com mais força, com mais sabedoria por uma juventude mais livre e menos dependente do poder capitalista da banca.
A Realidade…
Todo o Homem tem direito a uma habitação, com condições dignas que lhe permitam viver e constituir família.
Com o preço a que hoje em dia estão cotadas as habitações, para um jovem casal trabalhador, torna-se impossível adquirir habitação própria, sem recurso a crédito. São muito poucos os que o conseguem fazer, e conseguem-no devido às diferenças de classes, conseguem-no porque são filhos de uma classe muito mais abastada. No fundo, conseguem-no porque têm pais ricos e não precisam de recorrer à Banca.
Um jovem casal que pretenda adquirir uma habitação tem de recorrer ao crédito bancário, pois, é lógico que ninguém consegue ter disponíveis 70 ou 80 mil euros para dar a pronto pela compra de uma casa.
Claro que compreendo, e bem, que as casas custam dinheiro para serem construídas: materiais, salários dos trabalhadores envolvidos, seguros, impostos, entre muitas outras despesas. Esse dinheiro precisa de ser recuperado pelo dono da obra que o investiu, retirando ainda algum lucro. O problema base consiste na falta de valores, na falta de sinceridade e no egoísmo e na sede de capital de muitos. No fundo, o problema reside na falta de humanismo. Começa no dono da obra, que por uma habitação que fica num total de 50 mil euros de custo, a pretende vender por 80 ou 90 mil euros, obtendo um lucro enorme e sobrevalorizando as construções. Piora quando chega a altura de pedir empréstimo, em que têm de correr de banco em banco à procura da proposta menos má.
É vergonhoso que um jovem casal, que trabalha 40 horas semanais cada um (supondo que o patrão é amigo), e que aufere cerca de 1300€ euros (quem dera!…), precise de andar a pagar até à idade da reforma uma prestação de, aproximadamente, 400 ou 500€ euros. É vergonhoso que um jovem casal tenha de contar os tostões para poder comer e pagar tudo o que deve, para que outros, no final de cada ano, andem de sorriso dourado na cara, com milhões e milhões de euros nos bolsos da camisa.
Os juros e as margens de lucro dos bancos tornam-se assim um dos maiores inimigos da aquisição de uma habitação própria.
Analisemos agora a situação de um jovem casal com empréstimo para pagar. Não importam as voltas que o mundo dê, não importam os infortúnios possíveis de acontecer… no dia agendado, o valor da prestação tem de estar no banco, sob pena de o mesmo “entrar logo a matar”, canalizando a dívida para contencioso.
Pior, o facto de se permitir que esta situação se banalize como rotineira, sendo por muitos considerada até normal!
As consequências
Sei que corro o risco de ser acusado da teoria da conspiração, contudo, esta situação, no meu ponto de vista, parece consistir numa das mais poderosas formas de opressão dos trabalhadores, utilizada em pleno século XXI.
Para o jovem casal, não importa como, o dinheiro tem forçosamente de aparecer e a prestação atempadamente liquidada. Tal pode inclusivamente ser usado pelo patronato, submetendo os trabalhadores a situações de precariedade laboral, tanto a nível de condições de trabalho como a nível salarial. Os trabalhadores, mesmo sentindo-se descontentes e revoltados, não se atrevem a mexer porque mais importante é receber um salário, miserável que seja, destinado a pagar as dívidas. Lutar pelos direitos poderá resultar em despedimento, e isso significará perder a casa ou o que se comprou com o empréstimo.
Afinal, contrair um empréstimo condicionará toda a nossa acção. Quantos não serão aqueles que, conhecedores dos seus direitos, todos os dias engolem em seco, levam mais uma bofetada sem luva e vão trabalhar, pondo até a sua dignidade de lado, para poderem dar um tecto à família?!... Quantos não calam os abusos que sofrem para manterem o lugar na empresa, porque ou menos ali sempre vão pagando?!...
É URGENTE criar novas políticas de apoio que permitam controlar o endividamento das famílias. É necessário o controlo do preço das habitações, que trave a especulação do mercado imobiliário. É fundamental que a banca opere com taxas de juro adequadas à situação laboral do país e não somente à situação da Europa. Importa que os trabalhadores recuperem o espírito crítico, a força e a dignidade de serem Pessoas. Que os trabalhadores recuperem a Esperança!
É essencial que o trabalho volte a ser encarado como forma de realização pessoal de cada um e como forma de cada um contribuir para a construção e evolução da sociedade.
É necessário reflectir mais sobre este assunto!
15/09/2008
24/08/2008
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